Os dias de Diamantina - mesma viagem para o Jequitinhonha (e parte de outra, com a Lôra)
Diamantina é um lugar onde reúno muitos afetos e memórias. Fui pela primeira vez à cidade durante a graduação, em uma excursão com colegas e amigos que era parte de uma disciplina de História da Arte que fazíamos.
Foi uma viagem importante porque, quando voltei dela, tive uma ideia de fim. Em Diamantina, algo se realizou em mim. As experiências, as risadas, os dias de muito conhecimento e aprendizado terminaram com uma forte melancolia. Foi a primeira vez que me dei conta de que os dias de graduação estavam perto do fim, de que tudo aquilo que me parecia tão intenso e eterno era curto e efêmero, uma miniatura do que é a vida, de fato: uma provisoriedade.
A provisoriedade do tempo frente à perenidade das coisas. Diamantina ali, encrustada no Espinhaço, guarda consigo essa eternidade, mesmo que mínima. As muitas cidades que foi até a sua forma atual, e as perguntas do que será dali em diante.
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| Largo do Mercado - Diamantina (MG) |
Desde então, sempre que preciso pensar sobre essa transitoriedade da vida, volto à Diamantina. Lá é um lugar para eu pensar em ciclos que se fecham, em tudo que na minha vida precisa ser lembrado de que, por melhor ou por pior que seja, acabará um dia, por fim. E acabar não significa, de fato, algo ruim. É como o largo do mercado vazio: ali já passaram produtos que nem se se fazer profundo exercício de pensamento saberemos seus destinos exatos. Como lugar de troca, ali, naquele chão, o que vale é o momento e a troca, a urgência da vida em farinha, sal, carne seca, verdura, produtos de todos os tempos que correm as Minas. E a eternidade dos diamantes, que motivam a ganância efêmera e violenta dos diamanteiros, dos seres que vivem do garimpo.
Como um lugar de idas e vindas, como também um lugar no tempo, voltei à Diamantina depois dessa viagem, já com a nova moto (da qual falarei em breve). Foram dias de paz e carinho. Dias de rever velhos amigos e lembrar histórias. Mas, sobretudo, uma viagem que me fez entender que Diamantina tem esse lugar específico de determinar os fins de ciclos. Os meus, pelo menos, cada vez mais profundos. Pois a vida pode ser como o largo do mercado: hoje urgente e vital. Em longo período, curta e passageira. Como as travessias, as estradas e os dias.



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